segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Sem tímpano, espécie de sapo utiliza boca para conseguir ouvir

Raios-x revelam um novo mecanismo de audição para animais sem ouvido.

Mesmo sem possuir tímpano, o pequeno sapo da espécie Sechellophryne gardineri - um dos menores anfíbios do mundo - consegue ouvir outros sapos e coaxar normalmente, o que até hoje era um mistério para os cientistas.

Uma equipe internacional de pesquisadores utilizou raios-x para desvendar essa característica, e descobriram que os sapos usam sua cavidade oral para transmitir sons até seu ouvido interno. Os resultados foram divulgados na edição de segunda-feira da revista científica PNAS.

O modo como o som é escutado é comum a muitas linhagens de animais e surgiu durante o período Triássico (há 200-250 milhões de anos).

Apesar de os sistemas de audição de animais com quatro patas ter passado por diversas mudanças desde então, eles têm em comum o ouvido médio, com ossículos e membrana timpânica (tímpano), que surgiu de maneira independente nas principais linhagens.

Por outro lado, muitos animais - com destaque para os sapos - não contam com ouvido externo, como os humanos, apenas um ouvido médio, a porção interna do tímpano, que fica na superfície da cabeça.

A chegada de sons faz o tímpano vibrar, e essa membrana "entrega" as vibrações por meio dos ossículos ao ouvido interno, onde células as traduzem em sinais elétricos enviados ao cérebro.

E seria possível detectar som no cérebro sem o ouvido médio? A resposta, em geral, é "não", porque em 99,9% dos sons são refletidos na superfície da pele.

"No entanto, sabemos de uma espécie de sapos que coaxa como outros sapos mas não tem ouvidos médios com tímpano para escutar uns aos outros. Isso parece uma contradição", afirma Renaud Boistel, da Universidade de Poitiers, na França.

"Esses pequenos animais (Sechellophryne gardineri) têm vivido isolados na floresta tropical de Seicheles há 47 ou 65 milhões de anos, desde que essas ilhas se separaram do continente. Se podem ouvir, seu sistema de audição deve ser remanescente de formas de vida do antigo supercontinente de Gondwana.

Simulações numéricas ajudaram os cientistas a descobrir que o som é recebido através da cabeça desses sapos. As simulações comprovaram que a boca dos animais serve como ressoador - ou amplificador - para as frequências emitidas pela espécie.

Ilustração mostra como espécie de sapo consegue ouvir com a boca: a pele do animal reflete 99,9% do som que chega até ele; mas, como o Sechellophryne gardineri não conta com ouvido médio, as ondas sonoras não podem ser levadas até o ouvido interno. Então, a boca serve como cavidade ressonante das frequência, amplificando a amplitude do som na boca

Fonte: Terra
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