sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

O enigma de Cristóvão Colombo


Se parece não existir dúvidas sobre as suas descobertas, o mesmo não se pode dizer sobre as suas origens. Na manhã de 12 de Outubro de 1492, Colombo desembarcava nas ilhas das Caraíbas, içando a bandeira real e tomando posse daquele território em nome dos Reis Espanhóis.

Desde então, tudo o que é possível escrever – seja bom ou mau, foi relatado acerca das suas viagens. No entanto, a vida de Colombo continua a ser um grande enigma. O local onde nasceu, qual era o seu aspecto ou que educação recebeu, são dados incertos na biografia do explorador.

Cristóvão Colombo foi um dos mais famosos exploradores da história. O seu grande sonho nunca se concretizou, mas as suas viagens abriram caminho a um mundo desconhecido até então. Enfrentou emboscadas de inimigos, escapou ileso, vezes sem conta, a naufrágios e doenças, e em 1492 torna-se no primeiro europeu a pisar a América do Sul.

Não obstante, a vida de Colombo está repleta de incertezas e controvérsias. Pouco se sabe sobre os primeiros anos de vida e muito se questiona a sua verdadeira pátria. A versão oficial narra que terá nascido em Génova, porém são-lhe atribuídas também origens espanholas e portuguesas.

Na rota do “Novo Mundo”

Colombo nasceu em meados do século XV, numa época inebriada pelo ambiente de navegações e descobertas.

Escreveu o próprio, num dos seus diários, que com apenas catorze anos embarcou na primeira viagem. Em plena Idade Média, o mar era o meio mais fácil para novas conquistas. E Colombo, queria chegar à Índia.

O projeto do navegador, consistia em atravessar o Oceano Atlântico rumo à Ásia. Ou seja, chegar ao Oriente contornando o Ocidente. A ideia – que já tinha sido pensada duzentos anos antes, foi planeada durante a sua estadia em Portugal.

Em 1476, o navio genovês onde Colombo seguia é atacado perto do Cabo de São Vicente. Segundo a biografia escrita pelo filho Fernando, este salvou-se agarrando um remo, para depois nadar até ao porto de Lisboa. Chegado à costa, conta que descende de nobres arruinados pela guerra.

Durante os nove anos seguintes, Colombo realiza várias viagens pela Europa com navegadores portugueses; casa-se com Filipa Moniz; e pede auxílio ao Rei D.João II, com o objetivo de financiar a sua viagem ao Oriente.

O apoio, no entanto, só veio de Castela. Em 1492, o sucesso na conquista de Granada aos muçulmanos, leva os Reis de Espanha a financiar a expedição de Colombo. Para além de ter sido nomeado “Almirante do Mar Oceano e Governador das Índias”, foi-lhe prometido um décimo da riqueza que porventura viesse a descobrir.

Em Maio desse ano, chega a Palos onde organiza os preparativos da viagem que iniciará a 3 de Agosto. Com três navios e uma tripulação maioritariamente espanhola, Colombo registra no seu diário de bordo o caminho navegado até às Caraíbas.

Na manhã de 12 de Outubro, desembarcava numa ilha convencido que tinha descoberto o Japão e a Índia. Iça a bandeira real espanhola e reclama aquele território em nome de D.Fernando e D.Isabel.

Desde então, tudo foi escrito sobre a sua chegada ao Novo Mundo. Histórias na qual Colombo já saberia da existência destas terras através de “um navegador desconhecido”, até ao duro modelo de colonização que estabeleceu, provocando a extinção dos povos locais.

No entanto, o maior enigma sobre si, continua a ser a sua própria existência. É que não se sabe ao certo o local onde nasceu, nem as supostas origens nobres.

Controvérsias sobre a pátria

A versão oficial, narra que Cristóvão Colombo nasceu em Génova em 1451. As dúvidas sobre se seria realmente italiano só surgiram no século XIX. As primeiras teorias apontavam a Espanha como o local de nascimento do explorador, pois afirmava-se que, a família teria imigrado para Itália após o seu nascimento.

Apesar da popularidade alcançada por esta ideia, sobretudo pelo contato mantido com o país, em 1928 a Academia de História Espanhola veio desmenti-la: os documentos que comprovavam a sua origem eram autênticos, mas foram manipulados para apresentar os nomes da família.

A segunda teoria, coloca a hipótese de Colombo ter nascido em Portugal. Entre as vozes concordantes, está Manuel da Silva Rosa, historiador e autor de vários livros sobre o tema. Este defende que o explorador é natural de Cuba, no Alentejo, e por essa razão foi esse o nome que deu à maior ilha das Caraíbas.

Para além disso, evidencia outros dados obscuros da sua vida, acrescentando que este teria sido um espião da Coroa Portuguesa contra Castela. A presença em Portugal, é confirmada pela biografia do filho Fernando e pelo Documento Assereto, onde são relatados os anos vividos entre Lisboa e a Madeira.

No seu Diário de Bordo, foram também encontradas referências às bandeiras da Ordem de Aviz que transportava consigo nos navios. O fato do filho Diego (Diogo) - fruto do casamento com Filipa Moniz, assim como outros descendentes e familiares terem nascido em Lisboa, tem tornado mais sólida a sua possível nacionalidade portuguesa.

Crê-se, que muitas destas incertezas, terão sido produzidas por si e pelo filho Fernando ao ocultar certas passagens da sua vida consideradas pouco abonatórias.

O único documento onde declarou a pátria, data de 1497 e afirma “De Génova sai e nela nasci”. Todavia, a biografia do filho vem baralhar estes dados: não só refere que Colombo não queria desvendar estas informações, como aponta simultaneamente várias cidades italianas.

Descendente de nobres?

No inicio do século XVI veio à tona as origens humildes da família. O filho, negando estas afirmações, confirma o que Colombo havia dito em Lisboa a propósito da ruína da sua suposta condição social. Acrescenta ainda que o pai teria estudado na Universidade de Pavia e privado com famosos corsários.

Segundo documentos existentes, Domenico Colombo – pai de Colombo, era um simples tecelão de lã que também se dedicava a outros pequenos negócios para aumentar os seus rendimentos. O próprio Colombo, começou por seguir este ofício.

Porém, a paixão precoce pela navegação levou-o a outros rumos. Os poucos estudos de matemática e geografia não o impediram de desenvolver as suas capacidades e tornar-se num dos mais fascinantes navegadores de sempre. Faleceu em 1506 em Sevilha (Espanha).

Fonte: Obvious
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