sábado, 21 de novembro de 2015

Soterrada por cinzas vulcânicas, vila maia é a 'Pompeia das Américas'


Apelidada de “Pompeia do Novo Mundo”, vila coberta por cinzas surpreendeu arqueólogos não só pela ótima condição dos achados: a relação entre a elite e povo era bem atípica para uma sociedade maia.

A vila maia mais bem preservada da América Latina é uma espécie de Pompeia das Américas. Além de ter sido preservada ao longo dos séculos por causa das cinzas resultantes da erupção de um vulcão, essa preciosidade arqueológica ganha ainda mais valor histórico com uma nova descoberta feita no início de novembro: lá a elite quase não exercia poder sobre o povo.

Descoberta em 1978 por Payson Sheets, da University of Colorado Boulder, dos EUA, o vilarejo de Ceren, em El Salvador, foi coberto por uma camada de cinzas com mais de 5 metros de espessura graças ao vulcão Loma Caldera, que entrou em erupção no ano de 660.

Ao contrário do que ocorreu em Pompeia, em Ceren não foi encontrado nenhum corpo, já que os moradores devem ter sido alertados por alguma coisa – provavelmente um terremoto dias antes – e fugiram antes do vulcão entrar em atividade.

Até agora já foram 12 as estruturas escavadas – oficinas, armazéns, cozinhas, edifícios religiosos e até uma sauna comunitária estão na lista. A área encoberta pelas cinzas possui mais de 3 km², então é possível que ainda haja muito mais coisa a se descobrir por lá.

Acredita-se que o vilarejo abrigava cerca de 200 pessoas e o que vem encantando os arqueólogos que por lá passam é o grau de preservação proporcionado pelas cinzas: é possível ver marcas de digitais em potes de cerâmicas ou pegadas humanas em jardins.

Detalhes que se mantém vivos por mais de 1.400 anos, como os vestígios encontrados de uma colheita que rendeu 10 toneladas de mandioca poucos dias antes dos habitantes serem obrigados a abandonar suas casas.

Os arqueólogos notaram que o povo do vilarejo possuía uma liberdade superior ao que era comum de se ver em outras comunidades maias, conhecidas por serem fortemente hierarquizadas, com os membros da elite vivendo em palácios e cobrando impostos das camadas menos privilegiadas.

Segundo os pesquisadores, a elite de Ceren não impunha hábitos nem controlava a opção religiosa ou as plantações do cidadão comum. Na verdade, eles mal se relacionavam – a única interação provavelmente ocorria nos mercados, cujos itens mais cobiçados eram facas de obsidiana (um tipo de vidro vulcânico), machados de jade e potes multicoloridos de cerâmica.

Fonte: Galileu
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