terça-feira, 6 de maio de 2014

Cientistas desvendam mistério dos 'sons de pato' no fundo do mar


Artigo científico diz que som é resultado das 'conversas' entre as baleias-de-mink, mamíferos da região do Oceano Antártico.

O mistério do estranho som de um grasnar de pato que é emitido do fundo do oceano foi finalmente resolvido, segundo um artigo científico publicado esta semana.

O barulho – apelidado de "bio-pato" – surge sempre no inverno e na primavera no Oceano Antártico. No entanto, a sua origem é um mistério para os pesquisadores desde a década de 1960.

Agora, gravadores acústicos revelaram que o som na verdade é uma espécie de "conversa" entre baleias-de-minke, um mamífero típico da região. As descobertas foram publicadas na revista científica Biology Letters.

"Foi muito difícil encontrar a origem do sinal", disse a pesquisadora Denise Risch, do instituto US National Oceanic Atmospheric Administration (NOAA), que liderou o estudo.

"Ao longo dos anos, houve várias hipóteses, mas ninguém conseguia mostrar realmente que era essa espécie que estava produzindo este som até agora."

Sons e migrações

O som estranho foi detectado pela primeira vez por submarinos há 50 anos. Na época, as pessoas que o ouviram ficaram surpresas ao descobrir que o som era muito parecido com o grasnar de patos.

Desde então, essa frequência baixa foi gravada muitas vezes em águas da Antártida e do oeste da Austrália.

Várias explicações surgiram para o fenômeno – como a de que eles seriam emitidos por peixes ou embarcações. Os pesquisadores dizem agora possuir "sinais conclusivos" de que o som é produzido pela baleia-de-minke. Em 2013, gravadores de som foram colocados em duas baleias da espécie.

"Descobrimos que o som era produzido pelo próprio animal que estava carregando o gravador ou por outro animal da mesma espécie que estava ali perto."

Os pesquisadores ainda não sabem exatamente como as baleias-de-minke emitem esse som. O que eles sabem é que os sons gravados foram produzidos quando os animais estavam próximos à superfície – antes de eles fazerem mergulhos profundos.

O objetivo dos pesquisadores agora é estudar mais esses animais, que são pouco conhecidos pela ciência, a partir dos sons capturados.

"Isso vai nos permitir identificar seus padrões migratórios – o exato momento em que os animais aparecem nas águas da Antártida e quando eles saem novamente."

A equipe vai analisar dados de uma estação do Instituto Alfred Wegener, na Antártida, que vem gravando sons na região há anos. Este não é o único mistério sonoro decifrado por cientistas nos últimos tempos.

Outro som estranho – uma baixa frequência conhecida como The Bloop, em inglês – também foi desvendado: era o barulho do gelo se partindo na Antártida.

Fonte: IG
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