sábado, 1 de fevereiro de 2014

Estudo: cérebro de macacos é mais similar com o nosso do que pensado


Uma pesquisa divulgada nesta terça-feira (28 de janeiro) na publicação especializada Neuron mostra similaridades desconhecidas na organização de regiões do cérebro que controlam a linguagem e o pensamento complexo em humanos e macacos. O estudo também indica diferenças importantes e pode nos ajudar a entender o processo evolutivo que nos distinguiu dos demais primatas.

Os cientistas estudaram o córtex frontal ventrolateral, área cerebral conhecida - há mais de 150 anos - como sendo importante para os processos cognitivos, inclusive a linguagem, flexibilidade cognitiva e tomadas de decisão. "Foi sugerido que para desenvolver essas habilidades, os humanos evoluíram um aparato neural completamente novo; outros (cientistas), contudo, sugerem que precursores para esses sistemas cerebrais especializados podem ter existido em outros primatas", diz Franz-Xaver Neubert, da Universidade de Oxford, líder da pesquisa.​

Os cientistas utilizaram ressonância magnética em 25 pessoas e 25 macacos e descobriram que essa região do cérebro tem muitas similaridades nos voluntários e nas cobaias. Isso sugere, afirmam os pesquisadores, que nossos traços cognitivos exclusivos dependem de uma aparato neural que inicialmente suportava funções diferentes.

Mas também foram encontradas diferenças. Por exemplo, o modo como o córtex frontal ventrolateral se conecta a regiões relacionadas com a audição é diferente nos macacos. "Isso pode explicar porque macacos vão muito mal em tarefas auditivas e talvez sugira que nós humanos usamos informação auditiva em uma maneira diferente quando tomamos decisões e selecionamos ações", diz Neubert.

Outra diferença é que uma região chamada de polo frontal lateral não está presente no cérebro dos macacos. Ela está envolvida no planejamento estratégico, tomadas de decisão e habilidades multitarefa.

Entre as semelhanças, a as regiões do córtex frontal ventrolateral que são similares em humanos e macacos têm papel em desordens psiquiátricas, como déficit de atenção, desordem de hiperatividade, desordem obsessiva compulsiva e abuso de substâncias. Estudos mais amplos podem ter resultados positivos para o tratamento desses problemas.

Fonte: Terra
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