domingo, 24 de novembro de 2013

Dentro de 300 anos, os oceanos ferverão

Dentro de 300 anos, os oceanos ferverão. Mas muito antes morrerão os peixes e as aves, e a água do mar se transformará em uma “sopa” primitiva de micróbios. A Organização Meteorológica Mundial (OMM) constata que 2013 tem todas as chances de entrar nos dez anos mais quentes desde o início das observações meteorológicas: de janeiro a setembro a temperatura média foi de meio grau a mais do que a média anual, no período de 1961-1990 (14,2 graus).

O secretário-geral da OMM, Michel Jarraud chamou a atenção para o continuado aumento da concentração de gases de efeito estufa na atmosfera: “Espera-nos um futuro quente”. O aumento da temperatura é apenas uma das manifestações da mudança do clima. A influência negativa sobre o movimento cíclico da água já se torna evidente, o que se expressa em secas, enchentes e precipitações extremas. Como exemplo, os cientistas citam o tufão Haiyan, que atingiu recentemente as Filipinas. O chefe de laboratório de hidrodinâmica do Instituto de Problemas Hídricos da Academia de Ciências da Rússia, Valeri Zyryanov assinalou:

“Nas latitudes tropicais, a temperatura supera, com frequência cada vez maior, a marca crítica de 26,6 graus Celsius. E isto é o início da formação de furacões. Enquanto nós lançamos CO2, oceano aquece. Basta ele aquecer em meio grau para começar ele próprio a lançar uma enorme quantidade de gás carbônico na atmosfera. Cerca de 85% de todo CO2 está dissolvido nas águas dos Oceanos.”

Na segunda metade do século XXI, o calor anormal será um fenômeno praticamente anual, que será assinalado em 60% da superfície terrestre. A área da terra firme sujeita a altas temperaturas anormais irá aumentar em cerca de 1% ao ano.

O que não arder, afundar-se-á. Segundo dados da ONU, o nível global do mar aumentará em 3,2 milímetros por ano – duas vezes mais depressa do que no século passado. Recentemente a revista National Geographic publicou a previsão das mudanças do aspeto geográfico do planeta se, em consequência do aquecimento global, derreterem os gelos polares. Ficarão debaixo de água quase todas as regiões do litoral, onde vive agora uma grande percentagem da população da Terra. E toda esta água será quase sem vida, como há 3,5 bilhões de anos. Os mares antigos eram constituídos por uma “sopa” de micróbios de algas e bactérias. Com o tempo, elas evoluíram para formas complexas. Mas hoje trata-se da transformação inversa de complexos ecossistemas oceânicos (com grandes animais e extensas cadeias alimentares) em sistemas simplificados dominados por micróbios e medusas. Nós nos arriscamos a retroceder o processo de evolução, adverte o investigador sênior do Instituto de Biofísica Celular, da Academia de Ciências da Rússia, Alexei Karnaukhov:

“Desaparecem não os animais que estão em toda parte, mas aqueles que já se encontram à beira da extinção. As chamadas espécies marginais criaram reservas de resistência. Com a mudança das condições naturais, foram justamente estas espécies que preencheram os nichos ecológicos e deram resistência ao sistema. Por exemplo, cerca de 90% do gás carbônico da atmosfera é tirado por cerca de 80 espécies de plâncton. Estas espécies dependem muito da temperatura e acidez da água. Mudanças destes parâmetros causarão a morte do plâncton. Nós não notaremos seu desaparecimento, diferentemente do desaparecimento dos ursos brancos ou morsas, a cujo salvamento se dedicam organizações inteiras, apesar de que as consequências do desaparecimento do plâncton serão muito mais sérias do que as consequências do desaparecimento dos ursos brancos.”

Uma das principais causas do esgotamento dos oceanos são os enormes volumes de pesca. Existem dados, segundo os quais o número de grandes peixes (atum, marlim, bacalhau e halibute) reduziu-se em 90% desde 1950. As frotas pesqueiras mudaram para peixes menores: sardinhas, anchovas e arenques. E estes se alimentam justamente do plâncton. A retirada de um importante elo da cadeia alimentar abala radicalmente todo o ecossistema, está convicto Alexei Karnaukhov:

“Os primeiros a desaparecer serão os pássaros, porque muitos deles se alimentam de peixes. Mas os pássaros podem morrer simplesmente em virtude das mudanças da composição química da atmosfera. Eles são mais sensíveis ao conteúdo de gás carbono do que os mamíferos.”

A atividade do homem muda a composição química básica dos mares. A acidez das águas aumenta. Isso significa que se reduz a quantidade de carbonato de cálcio – material-chave de construção para os esqueletos e conchas dos corais, do plâncton, dos moluscos e também para muitos outros organismos marinhos. Entretanto, o pior não consiste em que teremos um ecossistema oceânico primitivo, supõe Alexei Karnaukhov:

“Se nós não nos limitarmos no consumo de recursos naturais (inclusive de hidrocarbonetos) os oceanos simplesmente ferverão. Isto ocorrerá dentro de 300 anos. A temperatura pode mudar em mais de 100 graus. O mar não existirá mais como tal. O aquecimento global passará para a fase irreversível da catástrofe de estufa. E nosso planeta Terra se transformará em uma espécie de Vênus, à superfície do qual será impossível a vida como nós a conhecemos.”

Resumindo, não é tão fácil ignorar os problemas ecológicos. Eles começam a influir diretamente sobre a qualidade de vida de cada pessoa, e cada vez mais forte quanto mais o tempo passar. Apesar de, do ponto de vista de uma série de cientistas, as mudanças do clima serem cíclicas, e dever funcionar o “mecanismo inverso”, agora ninguém pode dizer quando e como isto ocorrerá e o que acarretará.


Fonte: Voz da Rússia
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