segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Ancestral de dente-de-sabre tinha mordida mais fraca do que gato

Um grupo de pesquisadores da Austrália e dos Estados Unidos deu um passo importante na compreensão do comportamento de caça do Thylacosmilus atrox, espécie pré-histórica de dente-de-sabre que habitou a América Latina, sobretudo a região da Argentina, há 3,5 milhões de anos.

Com base em modelos computacionais 3D, eles examinaram o desempenho biomecânico do animal ao atacar suas presas. Esses modelos foram digitalizados e, em seguida, submetidos a um software que simulou a força de sua mordida.

Os resultados foram comparados com os do Smilodon fatalis, o famoso tigre-dente-de-sabre extinto há 10 mil anos, e do leopardo que conhecemos hoje.

O grupo concluiu que a musculatura da mandíbula das duas espécies com dentes-de-sabre eram menos potentes quando comparadas à do leopardo, mas a do Thylacosmilus atrox surpreendeu.

Mesmo com seu grande porte - 1,5 metro e 100 quilos - e dos enormes dentes caninos superiores, sua mordida era tão ou mais fraca que a de um gato doméstico.

A falta de força era compensada, porém, pelos músculos de seu pescoço, responsáveis pela movimentação de seus dentes gigantescos.

"Os músculos da mandíbula do T. atrox eram constrangedores", afirma Stephen Wroe, pesquisador da Universidade de New South Wales, na Austrália, e autor principal do estudo publicado na revista PLoS One.

"Mas seu desempenho biomecânico durante as simulações sugere que ele, assim como o Smilodon fatalis, era bem adaptado às forças geradas pelos músculos de seu pescoço."

O autor explica que os enormes dentes eram frágeis, apesar de as raízes se estenderem até a caixa craniana.

Por isso, o animal pré-histórico precisava abater suas presas rapidamente para não comprometer seus caninos - o T. atrox tinha de imobilizá-las usando os antebraços.

Em seguida, em uma mistura de força e precisão, usava sua poderosa musculatura e inseria os dentes na traqueia da vítima, atingindo suas artérias.

"Presas de grande porte são perigosas, mesmo para superpredadores. Por isso, quanto mais depressa elas são abatidas, menores serão as chances de o predador se machucar ou de atrair a atenção de outros concorrentes", disse o pesquisador.

Apesar da semelhança, o T. atrox não tem parentesco evolutivo com o Smilodon fatalis, o representante máximo dos mamíferos superpredadores.

Na verdade, explica Wroe, o Smilodon é resultado de pelo menos cinco "experimentos" independentes registrados na história evolutiva dos dentes-de-sabre no decorrer da Era dos Mamíferos, que se estende por cerca de 65 milhões de anos.

"Essas duas espécies estão separadas por pelo menos 125 milhões de anos de evolução", afirma Wroe. Trata-se de um caso clássico de convergência evolutiva, fenômeno em que duas ou mais espécies, independentemente, desenvolvem características semelhantes.

"Sabe-se hoje que, do ponto de vista evolutivo, os T. atrox tem os marsupiais como parentes mais próximos."

"Thylacosmilus atrox" (à direita) tinha o maior canino entre as espécies primitivas dos dente-de-sabre, com as raízes chegando até a caixa craniana, mas não a maior potência. Segundo pesquisa da Universidade de New South Wales, na Austrália, criatura que habitou a América Latina há 3,5 milhões de anos tinha uma mordida mais fraca do que a de um gato doméstico e seus dentes eram frágeis


Fonte: UOL
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