domingo, 3 de janeiro de 2016

Esqueletos usando adereços em forma de foice revelam antigo medo de demônios


Além da foice no pescoço, a adolescente parece ter sido enterrada com uma fita e uma moeda de cobre.

Como evitar que um demônio perturbe os vivos? Usar uma lâmina na garganta pode dar certo.

Alguns esqueletos descobertos em um cemitério polonês de 400 anos tinham foices colocadas ao redor de seus pescoços. Os arqueólogos acreditam que esta prática funerária é uma evidência de crença em magia e medo de demônios.

Os esqueletos foram encontrados no cemitério de Drawsko, no nordeste da Polônia. Estima-se que aquelas pessoas viveram entre o século 17 e 18. Os arqueólogos, incluindo Marek Polcyn, que leciona na Lakehead University, no Canadá, escavaram mais de 250 sepulturas desde 2008.

Entes estas covas havia quatro esqueletos com foices em suas gargantas e um com a mesma lâmina sobre seus quadris.

Anteriormente, estes enterros haviam sido descritos como “enterros de vampiro”, sendo a foice um impedimento para que os mortos voltem e atormentem os vivos. Mas um novo estudo detalhado agora rejeita esta caracterização (descartando deliberadamente a interpretação que inclui mortos vivos).

Os arqueólogos acreditam que a foice era uma proteção contra demônios, em parte porque os vampiros não eram o único tipo de encarnação maligna dos mortos, de acordo com as crenças populares da região.

Além disso, os túmulos protegidos pela foice tinham privilégios funerários não compatíveis com os achados relacionados a vampiros: eles receberam um enterro cristão em solo sagrado, juntamente com outros membros da comunidade e seus corpos não foram profanados ou mutilados.

Através de análises de assinaturas químicas nos dentes dos corpos, os cientistas descobriram que eles eram definitivamente membros da comunidade local (Eles publicaram os resultados destas pesquisas em um artigo na PLOS ONE ano passado.)

“Não há dúvida de que o significado deste ritual é místico”, escreveram Polcyn e Rita Gaspar, acrescentando que a foice pode ter mais de um significado ritualístico.

A ferramenta pode ter sido destinada a manter os mortos em suas sepulturas sob a ameaça de cortar suas gargantas, mas também pode ter sido usada para impedir que as forças do mal atormentassem suas almas. Além do mais, o uso de uma ferramenta de ferro, que foi transformada através do fogo, simboliza a passagem da vida para a morte.

Ainda que o Cristianismo tenha sido a religião dominante na Polônia, na época em que o cemitério era utilizado, as tradições da velha fé pagã eslava ainda existiam, incluindo a crença em demônios. Além das foices, nada chamava muita atenção nas sepulturas, então os cientistas não podem ter certeza da motivação das pessoas ao enterrar seus mortos daquela maneira.

Talvez elas eram pessoas conhecidas por terem possuído poderes sobrenaturais em vida ou características corporais suspeitas, que aparecem no folclore polonês, como um corpo muito peludo ou uma cabeça grande, por exemplo.

Estas pessoas também podem ter morrido de forma traumática, sem ter o tempo apropriado para os ritos funerais que lhes concederiam uma transição tranquila para a morte, um conceito que alguns arqueólogos chamam de “morte ruim”. Embora algumas das pessoas enterradas possam ter morrido de velhice, uma delas, uma menina, morreu durante a adolescência.

Os autores do artigo especulam que ela pode ter tido um fim violento e prematuro, talvez por afogamento, suicídio ou homicídio. Infelizmente para eles, essa morte não deixou marcas evidentes nos ossos da garota.

Polcyn e Rita Gaspar escreveram que desejam fazer mais testes científicos nos cadáveres, como análises biomoleculares, para entender o que levou aquelas pessoas a serem enterradas junto com foices.

Fonte: Yahoo!
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