segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Projeto Filadélfia. Mito?

Nasce uma lenda 

A história que é conhecida sob o título de "O Experimento Filadélfia", surgiu através de uma série de eventos estranhos, com uma figura verdadeiramente misteriosa como estrela principal. Em 1955 um livro intitulado "The expanding case for the UFO" foi publicado. Este livro não iria ser tão conhecido por seu conteúdo, mas por causa dos eventos que se seguiram.

O autor era Morris K Jessup, um astrônomo formado pela Universidade de Michigan, onde ele também palestrou por um tempo. Mas Jessup também era um apaixonado investigador OVNI. Depois de publicar seu livro ele começou uma série de conferências públicas para promover sua publicação. Em janeiro de 1956 Jessup recebeu uma carta de alguém que obviamente assistiu a pelo menos uma de suas conferências e também leu seu livro. A carta comentava sobre o que Jessup escrevera sobre os OVNIs e em certo ponto havia uma referência a um incidente incomum.

De acordo com a carta, em outubro de 1943 um experimento ultra-secreto foi conduzido pela Marinha dos EUA. O resultado da experiência foi a invisibilidade e teleporte de um destróier dos EUA, enquanto no mar.

A carta era assinada por um certo Carl Allen, que também usou o pseudônimo de Carlos Miguel Allende. De acordo com Allen o Experimento era de fato uma aplicação prática da Teoria de Campo Unificado de Einstein. 

A história de Allen

Allen afirmou que em outubro de 1943, enquanto estava a bordo do navio Liberty USS Andrew Furuseth na área de Norfolk Va, um navio, do tipo destróier, subitamente surgiu de lugar nenhum, parcialmente coberto por uma névoa verde de forma esférica. O navio permaneceu por apenas alguns minutos e então desapareceu novamente. Ele também menciona que de acordo com um jornal da Filadélfia observadores np Estaleiro da Filadélfia testemunharam exatamente o evento oposto, um navio desaparecendo e então voltando outra vez. Ele de fato alega que o navio foi teleportado da Filadélfia para Norfolk em questão de minutos (a distância real requer aproximadamente 24 horas).

A história de Allen continua, relatando vários incidentes estranhos considerado como efeitos da experiência nos tripulantes a bordo do destróier. Um deles segundo relatos simplesmente desapareceu no meio de uma briga de bar, outro "entrou" em uma parede em frente dos olhos de sua família e nunca mais retornou, e quase todos eles sofreram problemas psicológicos sérios e tiveram que ser hospitalizados. A opinião de Allen é que a experiência saiu de controle e os resultados amedrontaram as pessoas no comando, resultando no encerramento de todo o projeto três anos depois.

Jessup não estava convencido pelas alegações selvagens de Allen e pediu evidência mais substancial para o incidente. A resposta de Allen veio em 25 de maio de 1956, e não forneceu a evidência que Jessup esperava. Além da falta de evidência, as cartas de Allen estavam cheias de palavras em maiúsculas, orações e teorias incoerentes e uma mistura de teorias que soavam científicas e deduções irracionais. Subseqüentemente Jessup deixou o assunto de lado e não prestou atenção adicional à história. 

O Escritório de Pesquisa Naval (ONR - Office of Naval Research)

Um ano depois, na primavera de 1957, Jessup recebeu um convite para uma reunião do Escritório da Marinha de Pesquisa Naval. Foi-lhe apresentada uma cópia de seu livro repleta de anotações. As anotações estavam em três cores diferentes e aparentemente em três letras diferentes, assim de três pessoas.

As anotações reproduziam a história de Allen relativa ao suposto Experimento Filadélfia e se estendia bastante em comentários sobre viagem interplanetária, sistemas de propulsão de OVNIs, as teorias de Einstein e Tesla, tudo isso usando linguagem e terminologia sugerindo conhecimento e treinamento científicos acima da média.

Jessup reconheceu pelo menos uma das caligrafias como de Allen, enquanto o estilo e formato das anotações se assemelhavam fortemente às cartas de Allen.

Em um ato bastante estranho e questionável, oficialmente considerado pela Marinha como "uma iniciativa privada de certos funcionários do ONR", o ONR republicou o livro anotado, com as cartas de Allen em forma de prefácio, em um número limitado de cópias (a quantidade não foi firmemente estabelecida e parece variar de 10-130 cópias). Esta versão do livro de Jessup ficou conhecida como a "Edição da Varo", nome da companhia que lidou com a publicação.

Jessup se suicidou dois anos depois, em abril de 1959, porque estava enfrentando séria angústia psicológica devido a problemas matrimoniais. O que aconteceu durante esses dois anos é desconhecido. É quase certo que Jessup recuperou seu interesse pelo caso, por causa do interesse do ONR, e provavelmente contatou novamente Allen. Jessup também discute o assunto com amigos e colegas e o Experimento Filadélfia se torna mais conhecido, atraindo o interesse de mais pessoas.

O período dos livros

O paradeiro de Allen não foi firmemente estabelecido durante os anos seguintes. Acredita-se que ele passou muito de seu tempo no México e viajando pelos EUA, como um andarilho ou cigano.

Por volta do fim dos anos 60, muitos investigadores começam a se interessar pela história de Allen, escrevendo artigos e livros. Em 1967 três livros, lidando direta ou indiretamente com a história, foram publicados:

- "The Allende Letters", de Brad Steiger

- "Uninvited Visitors", de Ivan Sanderson (Sanderson era amigo de Jessup e muitas pessoas tendem a acreditar que Jessup revelou a ele vários pontos obscuros relativos ao envolvimento do ONR)

- "Anatomy of a Phenomenon", de Jacques Vallee

Steiger e Valee se corresponderam com Allen, recebendo informações e fazendo perguntas.

Em 1969 outro incidente estranho tem lugar. Allen aparece no Escritório de Pesquisa de Fenômenos Aéreos (APRO) em Tucson, Arizona, onde confessa que toda a história é uma fraude que ele inventou.

Allen reaparece sendo entrevistado por Moore & Berlitz em "The Philadelphia Experiment" em 1979. Ele volta atrás em sua confissão, sem se explicar muito, e se atém novamente à história inicial. Este livro é de fato o que tornou a história do Experimento Filadélfia famosa e lendária. Para muitas pessoas é a pesquisa mais consistente no assunto. Moore diz que trocou várias cartas com Allen e que também o encontrou pessoalmente.

A última aparição de Allen registrada de forma confiável foi em 1983, em uma entrevista a Linda Strand. Acredita-se que Allen morreu em 1994 em Colorado, de acordo com os registros da Previdência social.

Outra fonte

Durante os anos 80, outra testemunha ocular surgiu. Desta vez era Al Bielek, que alega que era o responsável pela eletrônica a bordo do navio do Experimento Filadélfia. De acordo com Bielek, o Experimento ocorreu em duas fases, em 23 de julho e 12 de agosto, e não em outubro.

Sua história pessoal é ainda mais incrível. Ele afirma que a experiência não só resultou no teleporte do navio, mas também em viagem no tempo. Bielek diz que viajou no tempo a 1983, e então voltou novamente para acabar com o experimento. Ele também alega que sofreu lavagem cerebral para esquecer tudo, e que suas recordações só voltaram depois de assistir ao filme "The Philadelphia Experiment". De acordo com Bielek, experimentos semelhantes estavam sendo conduzidos em instalações ultra-secretas durante os anos 70 e 80, e ele também fez parte dessas experiências. Líderes do experimento inicial de 1943 eram três figuras proeminentes: Nikola Tesla (embora estivesse morto desde o início de 1943), Albert Einstein e John Von Neumann.

Bielek tem sustentado sua história apaixonadamente através de uma série de conferências, livros, entrevistas, e até mesmo vídeos, incluindo vários detalhes científicos (seu Ph.D. em Física sendo-lhe muito útil).

De vez em quando, outros aparecem também, a maioria alegando ter estado a bordo do navio como pessoal científico e técnico, mas suas histórias são muito semelhantes às de Bielek e extremamente consistentes com o roteiro do filme de 1984, "The Philadelphia Experiment". 

Teorias de conspiração

A Marinha dos EUA negou oficialmente a existência de qualquer projeto de pesquisa relevante durante a Segunda Guerra. Em resumo, de acordo com a Marinha o experimento nunca aconteceu. Um ponto chave na história é o chamado de Jessup pelo ONR e a edição da Varo que se seguiu. A maioria dos investigadores nota este fato como muito intrigante e eles estão justificados nisto. Em 1956 a Marinha mostrou um interesse nas anotações incluídas no livro de Jessup e muitas delas se referiam ao Experimento Filadélfia. Oficialmente, tanto o interesse quanto a edição da Varo foram o resultado de um interesse e iniciativa privados por certos funcionários do ONR.

Parece que o interesse do ONR e a edição da Varo foram os eventos que de fato criaram a lenda do Experimento Filadélfia. Estes eventos criaram um sentimento de que a Marinha talvez tivesse algo a esconder. 

Atualmente, é amplamente aceito que tudo isso não passou de um mito. Julguem por si mesmos...

USS Eldridge

Fonte: Blog USS Venture
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