domingo, 27 de abril de 2014

Plutão pode ter mares profundos e falhas tectônicas


Em julho de 2015, teremos o primeiro vislumbre do planeta anão Plutão e de sua lua, Caronte, o que gera inúmeras especulações entre os cientistas.

Segundo uma das teorias mais recentes, a colisão que teria formado Plutão e Caronte aqueceu o interior do planeta a ponto de criar um oceano subterrâneo de água líquida, engendrando um sistema de placas tectônicas de curta duração, como o da Terra.

“Quando a sonda New Horizons chegar lá, acreditamos que veremos evidências de tectonismo antigo”, declara Amy Barr, da Universidade de Brown, co-autora de um estudo com Geoffrey Collins, publicado na última edição da revista Icarus. Por “antigo”, Barr se refere aos primeiros bilhões de anos da história do sistema solar.

Plutão anticongelante

Barr e Collins criaram um modelo para o sistema Plutão-Caronte, baseado na ideia de que a colisão inicial entre os dois corpos gerou calor suficiente para derreter o interior de Plutão, formando um oceano de longa duração sob uma crosta de gelo.

“Quando um oceano se forma em um corpo de gelo, ele não se deteriora facilmente”, explica Barr. Isso acontece porque quando o oceano congela, a parte líquida remanescente é enriquecida por sais e amônia, que agem como anticongelante.

Em seguida, esse oceano interior teria criado placas tectônicas de gelo na superfície de Plutão. “Uma coisa que sabemos é que o momento angular se conserva à medida que o sistema evoluiu”, comenta Barr.

A partir desse fato, eles simularam diversos cenários baseados na órbita de Caronte logo depois da colisão (já que ninguém sabe exatamente onde a lua surgiu). Em seguida, em cada um dos cenários, eles constaram que a órbita de Caronte se desloca gradualmente para fora – assim como a órbita da Lua ao redor da Terra.

Quando Plutão e Caronte estavam próximos e ainda quentes devido à colisão, eles se atraíam com mais força e tinham um formato mais oval. Mas quando Caronte se afastou, Plutão se tornou mais esférico. Para mudar de forma, a superfície gelada teria de rachar e criar falhas, que são indícios de tectonismo.

“Nos cenários que vemos, a pressão gerada é mais do que suficiente para criar todo tipo de vestígios tectônicos”, explica Barr.

Vestígios tectônicos

Mas será que a New Horizons conseguirá ver essas falhas? Provavelmente sim, acredita Jeffrey Moore, chefe da equipe de geologia e geração de imagens da sonda, do Centro de Pesquisa Ames da NASA. “Será uma surpresa de não virmos vestígios de tectonismo”, acrescenta.

Uma possível complicação é o clima de Plutão. Anos trás, telescópios descobriram que Plutão possui atmosfera quando está mais próximo do Sol, mas que ela se congela até a superfície quando o planeta está no ponto mais distante de sua órbita elíptica. Essa alteração contínua pode ser suficiente para erodir sua superfície a ponto de esconder os vestígios de tectonismo.

“Não é inconcebível que as placas tectônicas estejam erodidas e cobertas de sedimentos “, especula Moore. Mas ele duvida que este seja o caso, destacando exemplos de planetas com atmosferas que congelam até a superfície regularmente – como Calisto, a lua de Júpiter.

“A atmosfera de Calisto tem depósitos e passa pelo processo de sublimação, mas ainda se pode ver grandes traços de tectonismo”, explica Moore.

Além disso, a New Horizons observará Plutão com uma resolução superior a 100 metros por pixel em alguns lugares, diz Moore. Portanto, as chances são muito boas. E se as falhas tectônicas não forem observadas? ”Então teremos que voltar para revisitá-las quando chegarmos lá”, conclui.

Fonte: Discovery
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