segunda-feira, 28 de abril de 2014

Neandertais eram menos diversos geneticamente que o "Homo sapiens", diz estudo


Um grupo internacional de pesquisadores constatou que a diversidade genética dos neandertais era menor que a dos humanos modernos, e que os genes que mais sofreram mutações no homo sapiens são os relacionados com a pigmentação da pele e o comportamento, sobretudo a hiperatividade e a agressividade.

Estas são algumas das conclusões de um trabalho dirigido pelo paleogeneticista Svante Pääbo, do Instituto de Antropologia Evolutiva do Max Planck (Alemanha), publicado na revista "PNAS".

Para chegar a essas conclusões, os cientistas sequenciaram o exoma - a parte do genoma que codifica os genes - de dois neandertais, um da caverna de Sidron e outro da caverna de Vindija (Croácia), e o compararam com restos mortais de neandertais da Sibéria e de um denisovano (Homo cuja descoberta foi anunciada em 2010 e cujos restos também foram encontrados na Sibéria).

Os pesquisadores comprovaram que os neandertais tinham menor diversidade genética que os humanos atuais, o que evidencia um menor número de recursos evolutivos para se adaptar às mudanças - "uma possível perda de adaptabilidade", segundo o cientista espanhol Antonio Rosas, do Conselho Superior de Pesquisas Científicas (CSIC), que participou do trabalho.

Outra verificação importante é que os neandertais estavam organizados em pequenos grupos e dispersos no território.

Rosas disse à Agência Efe que os pesquisadores chegaram a esta última conclusão graças ao estudo comparativo das duas cópias de cada cromossomo.

"Comprovou-se que nos neandertais as duas cópias de um mesmo gene nos dois cromossomos (herdados um do pai e outro da mãe) são muito mais parecidas do que no humano atual, o que indicaria endogamia e convivência em pequenos grupos", declarou.

Os paleobiólogos também apontam que entre os grupos de neandertais existe diversificação (os da Sibéria são um pouco diferentes do que os que viveram na a península Ibérica, por exemplo). Este trabalho também aborda a identificação dos genes potencialmente responsáveis pelas mudanças físicas na evolução.

A comparação dos exomas fósseis com os de vários humanos modernos de África, Europa e Ásia mostra que a linhagem comum de denisovanos e neandertales acumulou um bom número de mutações nos genes que controlam a forma do esqueleto - rosto, paladar, tórax -, distribuição do pelo, metabolismo e sistema cardiovascular.

No ramo dos neandertais, as mudanças afetaram especificamente os genes relacionados à lordose da coluna: Sabe-se por estudos de anatomia comparativa que os neandertais tinham uma curvatura lombar reduzida.

No entanto, na descendência dos "Homo sapiens", as mutações genéticas se concentram em certos genes vinculados ao comportamento e à pigmentação da pele: "Neste último caso, as mudanças podem estar relacionadas com as diferenças na pigmentação da pele das populações atuais", segundo Rosas.

Quanto ao comportamento, o homem moderno tem de maneira exclusiva mutações genéticas que fizeram mudar sua atividade e agressividade, mas não se sabe se para mais ou menos.

Para Rosas, este estudo "pela primeira vez põe um nome, embora não ainda um sobrenome, à base genética das mudanças na anatomia e o comportamento produzidos nos processos evolutivos".

Fonte: BOL
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