sábado, 18 de janeiro de 2014

Desaparecimento de grandes carnívoros ameaça ecossistema global


O desaparecimento progressivo de grandes carnívoros, como leões, lobos ou pumas, ameaça os ecossistemas do planeta, advertiu uma equipe internacional de cientistas que fez um apelo para a proteção desses predadores.

Mais de 75% das 31 espécies destes animais viram reduzida sua população e 17 delas estão ocupando atualmente menos da metade do território que habitavam inicialmente, segundo um estudo publicado na edição desta sexta-feira da revista americana Science.

Os grandes carnívoros já foram amplamente exterminados em um grande número de países desenvolvidos, principalmente na Europa Ocidental e no leste dos Estados Unidos. E essa caçada se estende ainda a várias partes do mundo, criticaram os cientistas.

No entanto, advertiram que tudo indica que estes animais desempenham um papel crucial para manter o equilíbrio delicado dos ecossistemas.

"Em escala planetária perdemos nossos grandes carnívoros", afirmou William Ripple, professor no departamento de ecossistemas florestais da Universidade do Estado do Oregon e principal autor deste estudo.

"Vários destes animais estão ameaçados enquanto seus territórios diminuem rapidamente. E a maioria deles corre o risco de extinção, localmente ou em escala global", advertiu Ripple, considerando "paradoxal que estas espécies desapareçam em um momento em que estamos tomando consciência de sua importância na manutenção do equilíbrio ecológico".

Estes cientistas americanos, europeus e australianos afirmam que já é hora de lançar uma iniciativa mundial para reintroduzir estes animais na natureza e reconstituir suas populações, citando como exemplo a chamada "Large Carnivore Initiative", celebrada na Europa. Esta iniciativa pretende introduzir lobos, linces e ursos pardos em seus hábitats.

Para desenvolver seu trabalho científico, Ripple e seus colegas se concentraram em sete espécies, cujo impacto sobre o ecossistema foi objeto de muitos estudos. São elas o leão africano, o lince europeu, o leopardo, o lobo cinzento, o puma, a lontra marinha e o dingo australiano.

Estas pesquisas mostram que uma diminuição da população de pumas e lobos nos parques de Yellowstone, nos Estados Unidos, provocou um crescimento no número de animais que se alimentam de folhas de árvores e arbustos, como os cervídeos. Este fenômeno perturba o crescimento da vegetação e afeta aves e pequenos mamíferos, explicaram os cientistas.

Na Europa, o desaparecimento dos linces foi vinculado à superpopulação de corços e lebres, enquanto o desaparecimento de um grande número de leões e leopardos na África provocou uma explosão do número de babuínos-oliva, que destroem as colheitas e atacam os rebanhos.

Finalmente, a diminuição das populações de lontras no Alasca levou a um forte crescimento dos ouriços-do-mar e em uma redução das algas castanhas, das quais se alimentam.

"A natureza é interdependente, como indicam estes estudos em Yellowstone e em todo o mundo. Eles revelam como uma espécie afeta outras espécies de diferentes formas" e o conjunto do ecossistema, acrescentou Ripple.

Desta forma, evitar uma superpopulação de herbívoros permite à flora se desenvolver mais e armazenar mais dióxido de carbono, o principal gás de efeito estufa, o que permitiria lutar melhor contra o aquecimento global.

Mas os autores deste estudo admitem que será muito difícil fazer com que as pessoas aceitem a reintrodução em larga escala destes predadores.

Estes animais inspiram temor nos humanos, que há muito tempo declararam guerra contra eles para proteger seu gado e suas comunidades, explicaram.

Por causa disto, os grupos americanos de defesa da fauna e da flora não conseguiram se opor ao levantamento da proteção federal aos lobos em Montana e Idaho em 2011, uma medida que foi seguida em 2012 pelo Wyoming sob pressão dos pecuaristas.

Fonte: Terra
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